como quem desacorda com o tempo de todos os relógios do mundo, meu coração sofre de arritmia. às vezes em que a vida se apodera de meus sonhos e desmancha toda cor do céu, meu corpo sofre, já sem lágrimas. tudo é tanta falta de sangue circulante que fechar os olhos é como estar bêbado, que no fundo é como estar fraco e tonto também. sem forças. como um banho de água fria sobre o desenho de um corpo vivo. como um papel branco, molhado e murcho. como se fosse a vida se dissolvendo..
e o mundo como a falta de borracha mesmo, apesar de tantos enganos.
o tempo do mundo escorre seu pincel na noite..e eu durmo sem sono. pode ser que demore, mas sempre e só com o tempo, companheiro fiel, pode-se encontrar um céu manhoso com que acordar,
tarde, mas com o coração bom.
quarta-feira, 6 de julho de 2011
sábado, 2 de julho de 2011
a tua voz fala amorosa...
"Qual é a tarde por achar
Em que teremos todos razão
E respiraremos o bom ar
Da alameda sendo verão,
Ou, sendo inverno, baste 'star
Ao pé do sossego ou do fogão?
Qual é a tarde por voltar?
Essa tarde houve, e agora não.
Que há de ser enfermeira minha —
Sem doenças minha vida ousa —
Oh, essa mão é morta e osso ...
Só a lembrança me acarinha
O coração com que não posso. " Fernando Pessoa
sexta-feira, 20 de maio de 2011
MADRIGAL MELANCÓLICA
"O que eu adoro em ti
Não é a tua beleza
A beleza é em nós que existe
A beleza é um conceito
E a beleza é triste
Não é triste em si
Mas pelo que há nela
De fragilidade e incerteza
O que eu adoro em ti
Não é a tua inteligência
Não é o teu espírito sutil
Tão ágil e tão luminoso
Ave solta no céu matinal da montanha
Nem é a tua ciência
Do coração dos homens e das coisas.
O que eu adoro em ti
Não é a tua graça musical
Sucessiva e renovada a cada momento
Graça aérea como teu próprio momento
Graça que perturba e que satisfaz
O que eu adoro em ti
Não é a mãe que já perdi
E nem meu pai
O que eu adoro em tua natureza
Não é o profundo instinto matinal
Em teu flanco aberto como uma ferida
Nem a tua pureza. Nem a tua impureza.
O que adoro em ti lastima-me e consola-me:
O que eu adoro em ti é a vida!"
Não é a tua beleza
A beleza é em nós que existe
A beleza é um conceito
E a beleza é triste
Não é triste em si
Mas pelo que há nela
De fragilidade e incerteza
O que eu adoro em ti
Não é a tua inteligência
Não é o teu espírito sutil
Tão ágil e tão luminoso
Ave solta no céu matinal da montanha
Nem é a tua ciência
Do coração dos homens e das coisas.
O que eu adoro em ti
Não é a tua graça musical
Sucessiva e renovada a cada momento
Graça aérea como teu próprio momento
Graça que perturba e que satisfaz
O que eu adoro em ti
Não é a mãe que já perdi
E nem meu pai
O que eu adoro em tua natureza
Não é o profundo instinto matinal
Em teu flanco aberto como uma ferida
Nem a tua pureza. Nem a tua impureza.
O que adoro em ti lastima-me e consola-me:
O que eu adoro em ti é a vida!"
segunda-feira, 16 de maio de 2011
o tempo da busca pelo tempo perdido
eu não querido tempo, paciência!
tempo que eu não tenho, tempo pra perder
eu não, querido tempo, perdi.
eu perdi querido, tempo
com você,
eu, querido, perdi.
querido eu,
me perdi
é você?
tempo que eu não tenho, tempo pra perder
eu não, querido tempo, perdi.
eu perdi querido, tempo
com você,
eu, querido, perdi.
querido eu,
me perdi
é você?
terça-feira, 10 de maio de 2011
Poesia Vertical I
"Algún día encontraré una palabra que penetre en tu vientre y lo fecunde, que se pare en tu seno como una mano abierta y cerrada al mismo tiempo. Hallaré una palabra que detenga tu cuerpo y lo dé vuelta, que contenga tu cuerpo y abra tus ojos como un dios sin nubes y te use tu saliva y te doble las piernas. Tú tal vez no la escuches o tal vez no la comprendas. No será necesario. Irá por tu interior como una rueda recorriéndote al fin de punta a punta, mujer mía y no mía, y no se detendrá ni cuando mueras." Roberto Juarroz |
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