não disse adeus quando também não quisestes dizê-lo. sem palavras, e eu cheguei a clamar por Deus. por não adeus. por que Deus? por que não sei mais por quem chamar. porque ninguém mais pode. porque eu não posso mais..nem eu posso com o adeus. porque com Deus se pode estar mudo. e com dor as palavras fogem de mim. de medo as palavras ficaram mudas. como túmulo. e eu com o coração cheio, ainda quente. quando quero falar-te sofro o revés. o coração cheio de anseios, quer contar com desejo, pequenas alegrias. porque os órgãos pulsam por sangue e querem é a pele transpirante, o cheiro de banho tomado exalando pela casa, uma risada tímida ou até mesmo sem graça, que seja. quero seu corpo caminhando no seu ritmo próprio, humildemente interessante. mulher de homem de antigamente. certas palavras desmedidas. algum silêncio desconcertante. cantando agudo e trocando a letra..e me perguntando como e eu respondo como sem você? e me convenço de que não haveria como
nos dizermos adeus, nunca.
segunda-feira, 2 de maio de 2011
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Namorados
"O rapaz chegou-se para junto da moça e disse:
-Antônia, ainda não me acostumei com o seu corpo, com sua cara.
A moça olhou de lado e esperou.
-Você não sabe quando a gente é criança e de repente vê uma lagarta listrada?
-Antônia, ainda não me acostumei com o seu corpo, com sua cara.
A moça olhou de lado e esperou.
-Você não sabe quando a gente é criança e de repente vê uma lagarta listrada?
A moça se lembrava:
-A gente fica olhando...
A meninice brincou de novo nos olhos dela.
O rapaz prosseguiu com muita doçura:
-Antônia, você parece uma lagarta listrada.
A moça arregalou os olhos, fez exclamações.
O rapaz concluiu:
-Antônia, você é engraçada! Você parece louca."
-A gente fica olhando...
A meninice brincou de novo nos olhos dela.
O rapaz prosseguiu com muita doçura:
-Antônia, você parece uma lagarta listrada.
A moça arregalou os olhos, fez exclamações.
O rapaz concluiu:
-Antônia, você é engraçada! Você parece louca."
Manuel Bandeira
domingo, 17 de abril de 2011
da medida do cumprimento
dizem que promessas são feitas para não serem cumpridas. já fiz tantas promessas, e muitas dessas me fizeram. me fazem promessas e eu faço, um tanto, algumas, tantas, desmedidas. acho que promessas não são feitas para nada. são feitas e ponto. uma vírgula! toda promessa é muito comprida.
sábado, 9 de abril de 2011
Um Beijo
"que tivesse um blue.
Isto é
imitasse feliz a delicadeza, a sua,
assim como um tropeço
que mergulha surdamente
no reino expresso
do prazer.
Espio sem um ai
as evoluções do teu confronto
à minha sombra
20
desde a escolha
debruçada no menu;
um peixe grelhado
um namorado
uma água
sem gás
de decolagem:
leitor embevecido
talvez ensurdecido
"ao sucesso"
diria meu censor
"à escuta"
diria meu amor"
Isto é
imitasse feliz a delicadeza, a sua,
assim como um tropeço
que mergulha surdamente
no reino expresso
do prazer.
Espio sem um ai
as evoluções do teu confronto
à minha sombra
20
desde a escolha
debruçada no menu;
um peixe grelhado
um namorado
uma água
sem gás
de decolagem:
leitor embevecido
talvez ensurdecido
"ao sucesso"
diria meu censor
"à escuta"
diria meu amor"
Ana Cristina César
quarta-feira, 6 de abril de 2011
04/04
lembro de quando eu era ela.
dela, eu nem precisava lembrar
do rosto dela, do cheiro
do sorriso dela
eu nem preciso querer
o amor, a mão dela
eu precisei tanto
dela, deitar-se comigo
do abraço apertadíssimo
dela, nela
sinto tanto tanta
dor que não sei como
levanto. eu levando
tanta lembrança acho
que ainda sou
por ela, eu vou esperar
mas acho que precisava lembrar
e lembrá-la.
quero que ela volte para que eu renasça
em cada aniversário dela.
dela, eu nem precisava lembrar
do rosto dela, do cheiro
do sorriso dela
eu nem preciso querer
o amor, a mão dela
eu precisei tanto
dela, deitar-se comigo
do abraço apertadíssimo
dela, nela
sinto tanto tanta
dor que não sei como
levanto. eu levando
tanta lembrança acho
que ainda sou
por ela, eu vou esperar
mas acho que precisava lembrar
e lembrá-la.
quero que ela volte para que eu renasça
em cada aniversário dela.
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