quarta-feira, 11 de abril de 2018

CONTRADICCIONES, PÁJAROS



"As verdades são a única verdade,
essas pequenas marcas da nossa história.
Se dissessem a verdade, as verdades,
mentiriam.

Apesar de as verdades
também mentirem com a sua verdade:
a contradição,
esse ninho de pássaros ruidosos.

Parece que não se suportam, as contradições,
neste mundo nosso.
Mas tentamos fugir-lhes como os pássaros,
fugir, ficando."

Ángeles Mora
(Trad. A.M.)

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

DEL LADO DE LA LUZ

Miro la tumba de mi madre y creo
que no debe de estar debajo de la tierra.
Siempre le horrorizaron los espacios oscuros.
Tan pequeña de cuerpo, se ha debido
escapar por los huecos
que entre el cemento dejan los ladrillos
o por alguna de las
rendijas de la caja, ventanas a la aurora.
O, quizás, por lo inquieta que siempre fue, ha tomado
el secreto camino que ofrecen las raíces
del rosal, del ciprés o el crisantemo,
y andando y desandando
por sendas donde nace la vida de las flores
ha llegado hasta el tronco
y, luego, hasta las ramas
y, después, a la flor, y se ha escapado
en las alas fecundas de alguna mariposa.
O, tal vez, nunca ha estado
allí, sino que el día,
ese día en que todos dijimos que había muerto,
no fue verdad. Tan sólo se había ido
de su cansado cuerpo para vernos
desde la luz más claramente.


Joaquín Benito de Lucas

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Não foi pouco, mas não foi tudo.


E não é que eu tive? Tive mortes, arrepios. 
Tive abismos. 
Bem que eu te disse que a vida não erra nada. 
A vida era tudo.
E eu não sei porque você quis que fosse apenas.
Você terá tudo e um pouco mais. 
Não pense no começo como se fosse o fim, porque depois da tempestade, depois da madrugada de insônia, de árvores em pedaços... não faça as contas do prejuízo. 
Depois de tudo virá o mais.
Nunca será demais. 
Será isto. E ainda é melhor que seja.


É só com esse mais que a gente aprende a ser menos.


sexta-feira, 2 de março de 2012

A um ausente


"Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.


Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu,
enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?


Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.


Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste." (Carlos Drummond de Andrade)